segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Verdades sobre a França: #3

Os franceses são os melhores usadores e amarradores de cachecol do mundo. Homens, mulheres, crianças... dominam as técnicas e a arte de combinar (ou complementar) com a roupa.

Verdades sobre a França: #2



120% da população acima de 15 anos fuma.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um mês sem mãe

Eu já passei alguns períodos sem minha mãe, e outros sem mãe nenhuma. Mas nunca um mês.
Eis o resultado:



Milhões de roupas nas cadeiras, outras tantas na cama. Compras recém-feitas jogadas no chão. A foto não captou todo o caos das mesas. E a pia estava sem louça, pois como tenho um exemplar de cada utensílio, se eu deixar sujo, não tenho o que usar...



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O dia sem título


Fiquei dias pra escrever esse post pois não conseguia definir um título. Eu gosto de ter o título antes de começar a escrever o texto, e assim fui adiando. Agora mesmo estou escrevendo e o espaço do título está em branco... Mas, como tenho que escrever, verei se até o final terei um nome ou não.

Quero e tenho que escrever sobre o acontecido da sexta-feira da semana retrasada.

                                                    ....

Fui tirar foto pra entregar ao OFII, escritório de imigração, que me fará uma visita em breve (pra constatar que estou aqui). Perguntei a minha amiga padeira onde tirar foto, e ela me disse que qualquer estação de metrô tem máquinas – como no filme da Amélie.

Só que, para tirar foto, tinha que entrar na estação e pra entra na estação, tinha que comprar um bilhete. Feito isso, me direcionei a máquina. Chego lá, descubro que as fotos custam 5 euros, e que a máquina não dá troco. Vejo que não tenho o dinheiro trocado, resolvo ir ao correio, onde tem uma máquina onde vc coloca notas e ela te dá moedas.

Com as moedas na mão, desço novamente na estação de metrô. Quando chego no meio da escada, vejo dois jovens, um de cada lado da roleta de entrada, como se esperassem por algo. Achei estranho; meu medo típico de carioca me deixou em alerta, pensei logo em assalto. Mas fingi estar tudo bem e continuei pelas escadas.

Passo pela roleta (que não é bem uma roleta, são duas portinhas que se abrem) e os dois rapazes aproveitam a minha entrada e passam logo atrás de mim, sem pagar (depois descobri que muitos fazem isso aqui em Lyon).

Vou em direção à máquinas de fotos, mas antes de chegar, fui abordada pelos dois rapazes.  Eles falaram ‘mademoiselle, mademoiselle’, e eu olhei pra trás (erro #1). Aí um deles me perguntou se eu queria passear com eles, eu neguei e ele perguntou o porquê. Eu respondi que não compreendia o que eles falavam (erro #2). Eles ratificaram o convite e eu continuava falando que não entendia. Nisso, outra pergunta deles: ‘de onde vc é?’, e meu erro #3: falar que sou brasileira. Um deles começou a falar em espanhol e falou que eu era muito bonita. Então o convite deles foi mais, digamos, incisivo: ‘vc não quer ir ali pro canto com a gente?’. Nessa hora, eu repeti mais uma vez que não compreendia o que eles falavam entrei na cabine pra tirar a foto. Sentei-me e fechei a cortina e comecei a operar a máquina, como se nada tivesse acontecido. Mas, confesso que fiquei com medo de eles ainda estarem ali quando eu saísse.

Quando terminou todo o processo, levantei, peguei minhas fotos (que ficaram lindas) e fui embora. Meio que em estado de choque. Bem, talvez o termo ‘estado que choque’ seja forte, mas não estava bem. Fiquei pensando em um monte de bobeiras... Foi tenso. Fui andando em direção ao mercado meio que zureta...

Mas, depois quando a poeira baixou, e conversando sobre o fato com meu namorado e com uma colega brasileira da faculdade, deu pra pensar um pouco e ser até racional.

Enfim, vamos separar os elementos de crise:

-Foi a primeira vez que fui assediada aqui na França – devemos acrescentar que num primeiro momento, cheguei a pensar que seria assaltada.

- Foi a primeira vez que fui assediada aqui, e em uma língua que ainda não domino. Tipo, eu entendi o que eles falavam, mas não sabia me defender, não sabia o que dizer pra mandar eles embora, nem educadamente, nem grosseiramente. Eu não sabia mandá-los a merda!

- Eu dei atenção pra eles. Eles me abordaram educadamente e eu respondi. Eu poderia ter ignorado eles... como faço no Brasil. Mas não o fiz.

- Ter falado que era brasileira e que não os entendia piorou: é grande a fama da mulher brasileira no mundo e já ouvi relatos de como a pessoa muda o andamento da conversa (e de atitudes) ao saber da nacionalidade brasileira de uma moça aqui na França.

- Minha colega não acreditou quando contei a história pra ela. Não acreditou na minha reação. Ela falou que, por ser carioca, esperava outra reação minha, por sermos mais descolados e despachados. Mas, de novo vem a barreira da língua e também porque fui pega de surpresa. Foi inusitado pra mim.

                                                  ....


Enfim, minha piadinha a respeito:

No ruim, no ruim, eles até que foram educados. Lembrando que foram dois convites: um pra passear (esse é até fofo e romântico, não acham?) e outro pra ir ao canto (well...). E eles ainda falaram que eu era muito bonita.

No Brasil, os assédios* (se é que podemos chamar de assédio o que vemos por lá) são muito mais mal educados, grosseiros, até. Ninguém nunca me convidou pra passear; somente fizeram análises grotescas de minha anatomia, elogios a minha bunda, ou sons que são nojentos. 

*Referindo-me a cantadas de rua, as que acontecem meio que gratuitamente. Não me refiro ao papo que surge com algum sentido e intenção de fato.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012