Com o fuso ainda confuso, acordei as
9 e desci pra resolver as pendências com a Isabelle, a recepcionista. É
engraçado: ela é muito bonita, mas tem um hálito horrível. Para acessar a
internet, tivemos que reconfigurar os números de ip e de getaway de meu laptop.
Como descobrimos isso? Isabelle ligou pro suporte técnico da empresa e eu (!?)
tive que responder algumas perguntas do rapaz. Até que foi tranquilo no começo,
depois complicou. Então fizemos assim: Isabelle ao telefone repetia o que o
rapaz dizia e eu tentava achar de acordo com minha tradução simultânea mambembe
– meu laptop está em português, claro. Tentei mudar a configuração de língua,
mas para fazer isso preciso estar conectada (!!!) - . Funcionou até um momento,
mas depois complicou pra nós duas e ela assumiu o posto enquanto o rapaz apenas
falava “clica no último botão, escreve no primeiro espaço”. Tudo ia muito bem
quando a ligação caiu e bateu o desespero – pois ficamos na espera pra sermos
atendidas por 15 minutos... Enfim, tentamos o internet Explorer e a conexão
apareceu. Tudo estaria resolvido? Não, pois para de fato conectar eu devo
assinar um serviço pago, informando o número do cartão de crédito. Não vi
problema algum se não fosse o meu cartão estar bloqueado para uso no exterior –
esqueci de fazer isso no meio de tantas outras coisas... Enfim, eu queria usar
a internet para desbloquear o cartão, mas precisava do cartão para usar a
internet: mais uma das querelas administrativas.
Alors, tentei comprar um cartão de
telefone público, mas não achei na primeira tabacaria (é onde se vende cartão
de telefone público e de celular, bilhete de loteria, pequenos lanches e até
cigarro. Quando me dirigia a segunda loja, eu encontrei um lugar com vários
telefones que cobram por ligação. Era engraçado pois estava assim na porta
“appeler por Ghana, Camaron, Indie, Angola”... Enfim, consegui ligar. Falei com
mamy, com o Filipe e com o banco – pra tentar desbloquear o uso no exterior;
eis que a atendente me fala que o desbloqueio leva dois dias. Ou seja,
continuar esperando.
Fui atrás de quelque chose pra tomar
café, só aí me dei conta que já era quase hora do almoço. Então acrescentei ao
croissant um sanduiche de frango e salada, duas maçãs e uma coca (mas não comi
tudo na hora). Metade do sanduba foi almoço; o resto será janta.
Depois de comer comecei a resolver as
burocracias: fui ao banco abrir uma conta. Mas só consegui marcar um rendez-vous
para sexta (nota mental: lembrar que vanvredi é sexta!).
Comprei um celular pré-pago.
Fui ao correio enviar o formulário para
notificar ao governo francês que estou aqui – e enfim completar meu pedido de
visto (é isso mesmo: o visto só é válido depois que eu receber um documento, a
carte de sèjour, que só será emitido depois de uma exame médico e da visita do
consulado ). No correio tudo é automático: a máquina de xerox; a máquina que
troca sua nota por moedas (pois a máquina de xerox só funciona com moedas); a
máquina de selos. Por sorte o tiozinho foi muito cordial e me ajudou com todas
as máquinas e na escolha do envelope (sim, pra isso também tem frescura). Aproveitei e consegui sacar o dinheiro com meu
visa travel Money no correio (tinha tentado no banco, mas sem sucesso).
Fiz algumas compras (utensílios de
cozinha) e voltei pra casa. Nessas andanças vi várias lojas de ‘gringo’:
roupas, comida, artefatos de várias nacionalidades. E não é somente as lojas,
que mais tem aqui é árabes, chineses, japoneses africanos, indianos, mulçumanos...
Mas, ainda nada do Brasil e nenhum brasileiro. Muitos deles se vestem de roupas
típicas, e as mulçumanas sempre de véu, com saias longas, casaco acinturado e
olhos muito bem pintados.
Ah, preciso contar: numa das vezes
que voltei ao alojamento eu subi no elevador com uma jovem linda!! Vestido
preto debaixo do trent coat marfin, meia calça e escarpin pretos. Maquiagem
impecável. E aquele velho cheiro que associamos aos franceses em
geral...SOVACO! Afe, empesteou o elevador todo – dei graças aos deuses de morar
no segundo andar... Ela será apenas a primeira.
Outro detalhe: tenho que me acostumar
que a ideia de que a cidade está de cabeça pra baixo no Google street view e no
Maps... Senão vou acabar me perdendo.
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