Finalmente, depois de 2 meses de burocracia, dúvidas e espera, minha matrícula na Université de Lyon 3 foi efetivada. Estava esperando a confirmação para escrever o texto a respeito da faculdade.
Tenho muito a escrever
e vou dividir os temas.
AS AULAS
Meu diretor de
tese aqui (no Brasil, ele seria chamado de co-orientador) sugeriu que eu
assistisse 3 cursos: dois ministrados por ele, e outro com outro prof. Mas,
estou seguindo 4 aulas.
- A primeira é de Filosofia
Geral, que serve para 3 graduações diferentes. Ele está falando sobre a Pensée
Poétique, uma espécie de pensamento não-lógico, não-analítico, não-sistemático,
cuja fundamentação reside nos escritos de Bachelard, Heidegger e Merleau-Ponty.
Já vimos Heidegger e essa semana começamos o Merleau-Ponty.
- O outro curso que o Prof me recomendou é
exclusivamente sobre Bachelard e serviu pra mim
como uma espécie de resumão: vimos a estrutura dos livros sobre a imaginação
dos elementos, e das duas poéticas. Esse curso já acabou.
- Uma colega brasileira me
convidou pra assistir outra aula: Esthétique Contemporaine, ministrado por um
professor italiano, também no mestrado de Cultura Visual. No começo, ele estava
falando de W.Benajmim, G. Deleuze e Zizek (e foi esse o motivo
com o qual a Célia me convenceu a assistir), mas na verdade a aula é temática,
e não sobre um livro ou autor. Nesse curso é abordado a questão da percepção
das imagens na época de sua reprodutibilidade técnica. O prof fez um breve
rapport histórico, passando por algumas questões de História da Arte e também
de História da Filosofia, de Descartes a Foucault,
sempre pautando com passagens de livros, imagens e trechos de filmes (já na
primeira aula tivemos Psicose - que adoro... Ele sempre usa o Hitchcock).
O FRANCÊS
Eu consigo seguir bem o andamento das aulas,
em geral os profs falam mais lento que as pessoas nas ruas, na vida real. E
também pelo fato de que eu já conheço os assuntos pois leio bastante a respeito
e há algum tempo. Às vezes perco alguma palavra ou expressão, mas isso também
aconteceria numa aula no Brasil. Enfim...
Minhas anotações são
engraçadas: começam em francês salpicadas com palavras ou verbos em português. Eu
apelo pra minha língua natal pois a grafia em francês é complicada (ou será
fresca??): duplas consoantes, e muitas vogais pra pouco som. Eu até conheço e
sei a grafia correta em francês, mas demoraria mais tempo pra lembrar a ordem
certa das 327vogais presentes naquela única sílaba. Ou então palavras
terminadas com –tion, como perception, reception, que é mais rápido pra eu
escrever percepção em ‘brasileiro’ pois quando escrevo –ção faço um símbolo que
é muito mais rápido de escrever.
Quando não consigo
captar a frase toda, faço uns traços, tipo, pra um dia preencher as lacunas....
OS COLEGAS
Meus colegas tem várias formações, idades e
nacionalidades diferentes. Pude contabilizar no Master 4 brasileiras, 1
mexicana, 2 italianos, 1 japonesa, 1 iraniana; fora os que não conheço. Tem uma
jornalista, uma museóloga, uma fotógrafa e um povo que terminou a facul que agora
segue o mestrado, pra aumentar a formação.
Me chama a atenção os vovozinhos que pagam por
disciplina pra seguir os cursos que os interessam, somente por hobby. E toda
aula tem!
O exemplo que eu penso ser o mais emblemático é de Madame
Catrine, que deve ter uns 80 anos, uma vózinha típica de cabelos brancos e
aparência doce daquela vó que vai fazer um bolo depois do tricô, sabe?. Ela chega
à fac em seu Mini Cooper, assiste as aulas de Estética Contemporânea fazendo
suas anotações em seu Mac... Uma fofa!
OS PRÉDIOS
A vista de algumas
salas são para o jardim, outras mostram a rua. Mas a melhor vista é para o
Rhône nessa sala aqui. Muita diferença pra quem via os tiroteios da Mangueira (a
favela) pelas janelas da UERJ.
O FUTURO
Estou adorando
esse período aqui. Tenho descoberto uma nova possibilidade de leituras sobre o Bachelard,
e isso contribuirá bastante para a tese. As aulas me encantam, fizeram
ressurgir a Raïssa estudante, a boa aluna. Apesar de nunca ter deixado de
estudar, com certeza é diferente, pois há um espanto (no sentido da filosofia
grega), uma novidade...
Se pudesse,
passaria o resto da vida estudando aqui (essa frase pode parecer forte, mas já
pesquisei os cursos oferecidos aqui e ficaria indo da graduação ao máster até
terminar de estudar tudo o que despertou meu interesse aqui... Ainda mais
sabendo como são as aulas.
CURIOSIDADE
Aqui, a carteirinha de estudante serve pra tudo: como identidade, pra usar a biblioteca, ter desconto no restaurante universitário, enfim...
O curioso é que, estudante ganha desconto em museus, cinemas, shows, como no Brasil, mas é diferente: aqui, ganha-se desconto, e não é a 'meia-entrada'. Entretanto, muitos estabelecimentos 'não-culturais' também dão desconto: salão de beleza, livrarias, até desconto em cerveja eu já aproveitei num bar...
Amor, fico muito feliz por você estar aproveitando a faculdade desse jeito. A forma que você narra os fatos desperta, até em mim, o interesse de assistir as aulas.
ResponderExcluirAs fotos são lindas baby, coisa que não se vê em Universidades daqui, fato...
Sério que ficou com vontade de estudar aqui???
ResponderExcluirVenha!
Eu nem preciso falar que amei.
ResponderExcluirAdorei as aulas de estética. Queria estar aí.
E a vovó do mac? Eu não consigo me acostumar a mexer num ipod...
Amei o relato!
Beijos!
Aaaaaaaaaaaamei a sua estratégia das fotos das Raissas.
ResponderExcluir:)