Essa semana comecei a ler o livro de Elizabeth Gilbert, em francês, exatamente como queria quando estava na minha jornada burocrática rumo a Europa. Não encontrei nas livrarias brasileiras na época e desencanei.
É engraçado como o livro-filme estão vinculados a minha viagem em tantos
aspectos... Coincidências? Acaso? Destino? Intervenção divina? Escolhas? Eu
realmente não sei. Mas, pra quê saber anyway?
1) Começando pelo
começo:
Após uma aula de yoga, estava vendo O filme com o Filipe, que na época
era apenas meu amigo-colorido (como Raquel diz). Recebo uma ligação de M.,
minha orientadora, falando que no dia seguinte o Prof W., que hoje é meu
co-diretor de tese aqui em Lyon, estaria na universidade para uma reunião com a
reitoria e que essa seria uma oportunidade de me encontrar com ele, apresentar
o meu projeto e perguntar se ele aceitaria me orientar num período de pesquisas
na universidade dele.
Ao encerrar a ligação, começou o nervosismo, pois teria que falar com o
prof W. em francês, que na época estava mais do que enferrujado, sobre minha
humilde pesquisa.
E assim foi: no dia seguinte dei o ponta-pé inicial e conversamos, nós
três. Usei meu parco francês e M. traduzia W., apesar de eu compreender
bastante do ele falava. Lembro-me de ele ter ressaltado que era possível
perceber que eu tinha bom conhecimento e compreensão da língua e que a prática
oral se ganha no país...
Acertamos questões de datas, expliquei minha situação no emprego e ele
disse que estava de acordo e que me receberia.
Saindo de lá, matriculei-me num curso de francês e comecei a pesquisar
editais e procedimentos que se tornaram minha vida desde março de 2011 (data do
encontro com prof W.) até setembro de 2012 (mês que finalmente viajei).
Foi um processo tão exaustivo, as vezes até doloroso, que se fosse
descrever sairia um mix de suspense de Hitchcock com novela mexicana. Mas o que
importa é que venci Murphy, meu arquirrival, e estou aqui (sendo feliz para
sempre!)
2) Cores
Os meses foram passando, as cores foram ficando mais intensas, e a
amizade transformou-se em amor. Eu e Filipe começamos a namorar, um
‘relacionamento sério, porém divertido e engraçado’(piada interna).
Ainda hoje me surpreendo como nós transformamos nossa relação... Amo.
Muito. Não imaginei que pudesse amá-lo tanto. Duvidei disso antes de começar o
namoro, como bem sabem Kátia e Débora; duvidei disso no início. Resolvi pagar
pra ver e como resultado, saí ganhando.
Tá, e daí? E daí que na terceira parte do filme, Julia Roberts encontra
Javier Bardem.
Não sei se vcs já leram o livro ou se viram o filme, mas um resumão cabe
aqui. Liz resolve tirar férias de sua vida pois não se sente feliz e realizada
com como as coisas vão, mesmo tendo sucesso profissional e um namorado bonitão
(pausa pra questionar o que é felicidade). Os ecos de seu divórcio ainda a
atormentam e ela resolve realizar um sonho/plano antigo: passar um ano de sua
vida viajando e escolhe 3 destinos: Itália, onde ela vai comer; Índia, onde ela
vai rezar; e Indonésia, onde ela (acidentalmente, ou não) vai amar. Enfim, após relutar um pouco ela se rende aos encantos de Felipe,
o brasileiro que vive em Bali, e eles foram felizes para sempre.
A mocinha caiu in love pelo Felipe/Filipe e estão juntos vivendo esse
amor. Obviamente não posso dizer pela Liz, somente por mim, mas me sinto muito
feliz com meu Filipe, sinto que é pra sempre.
Phill me acompanhou na luta burocrática que enfrentei, me deu apoio e
incentivo, me emprestou os ombros nas horas de choro, e foram tantas. Ele não
saiu do meu lado e desejou a conquista de minha meta mesmo que isso
significasse um período afastados.
3) Estudar, viajar,
surtar?
O tempo foi passando, as coisas foram acontecendo (ou não) e a vida foi
seguindo. Revi o filme e tive a ideia muito original de escrever sobre a viagem em um blog. Inspirado pelo título do filme,
pensei em fazer algo parecido, 3 verbos. Mas não necessariamente os mesmos.
Então quais? Porquê não ‘Estudar, viajar, surtar’ já que a viagem era a estudos
e a cada dia eu surtaria (positivamente) com algo. Blé!
Cheguei e fui escrevendo no blog que já tinha, mas pouco usava.
Fui vivendo, aprendendo, estudando, realizando sonhos... Viajei, ri,
chorei, conheci pessoas e lugares. Conjuguei verbos que jamais pensara em
conjugar (correr, lutar boxe, esquiar, por exemplo). E me dei conta como os 3
verbos escolhidos pela autora do livro podem se encaixar perfeitamente em minha
jornada europeia.
Comer:
Quem me conhece sabe que sou chata pra comer, que prefiro lanchar a
comer ‘comida de verdade’ (tipo arroz, feijão, salada). Fico feliz em almoçar
joelho e jantar pizza. Mas um pouco antes de vir, descobri que estava quase
diabética e que precisava perder peso. Então, além de monitorar a alimentação,
estava correndo.
Cheguei e, apesar de estar sem mãe e sem namorado pra me vigiar, ‘comia
direito’. Fazia feira aos domingos, compras de adulto no mercado, cozinha
carne. Evitei lanches e macdonalds, saía da aula e vinha pra casa cozinhar,
mesmo estando num país reconhecido por seus queijos e pães.
É complicado se adaptar a comida num país diferente, apesar de o
Carrefour daqui ter bastante variedade e dispor de um estoque multicultural.
Não sou uma boa cozinheira e não tenho a mínima noção de como se prepara
determinadas comidas.
Então, por que das aspas no ‘comia direito’? Porque a única coisa
que sei preparar decentemente é macarrão (=carboidrato). Ou seja, na tentativa
de comer direito (evitar sanduíches) eu me enchia de carboidrato, quase sem
proteínas. Resultado: engordei.
Parece que é um efeito colateral com moças brasileiras aqui na Europa.
Então, estou revendo toda minha alimentação, repensando meu verbo comer. Cortei
carboidratos no almoço, tomo chá verde ao menos 2
vezes ao dia, inseri mais frutas ao longo do dia. Vamos ver no que dá.
Pra ajudar no verbo emagrecer, eu corria no quai. Mas o frio agora me
impede então me matriculei em uma academia e agora pratico o verbo boxear.
Rezar:
Como disse, o processo foi doloroso e penoso. Para ajudar na parte
burocrática, pedia intervenção divina. Recuperei minha prática católica e
encontrei uma fé que não sabia que tinha. Mesmo assim, muitas vezes as
reviravoltas da novela me faziam ter dúvidas de concretização de meu objetivo.
Até promessa minha mãe fez.
Ao chegar aqui, minha fé se avivou ainda mais. As igrejas aqui são um
espetáculo arquitetônico e é impossível ficar indiferente quando se entra em
uma catedral grandiosa, com tantos séculos de história. Para além do
arrebatamento estético, senti um vibração existencial muito grande ao entrar na
Catedral de Saint Jean. Sim, senti Deus. O mesmo aconteceu quando visitei a
Notre Dame de Paris.
Coincidência ou intenção de mãe, fui pagar a promessa da dona Ruth:
assistir 3 missas em 3 igrejas diferentes. Mas além do compromisso, da promessa,
eu sinto que estou mais próxima das Forças Divinas. Rezo sempre, agradeço a
cada realização, cada aprendizado, cada presente que ganho aqui (as vistas, as
viagens, a neve, as experiências únicas). Sinto-me protegida pelo manto de
minha mãezinha divina, que me impede até de sentir frio.
Amar:
A distância e a saudade intensificam sentimentos. Aprendemos novas
formas de amar, de manifestar sentimentos.
Cada coisa que vemos e vivenciamos e vc só pensa em dividir isso com
quem ficou em casa, fotografa tudo, corre pra postar e dividir a experiência.
Cada pequena saudade de pequenas coisas, pequenos gestos e hábitos.
Sentir falta de sua mãe reclamando com vc de sua bagunça; chorar ao encontrar
um cabelo seu na geladeira e entender as reclamações dela.
Valorizar cada encontro no MSN com seu pai, cada conselho que ele te dá.
Poder falar coisas que vc jamais falaria pro seu irmão.
Enviar uma parte de seu coração junto com cada presente, com cada
postal...
Aprender a ver seu namorado por outro ângulo, de frente, pois quando
estamos junto, geralmente ficamos um ao lado do outro, no sofá, no carro, em
restaurantes, no cinema. Aprender a admirar sua beleza mesmo quando ele fica
quadriculado no skype.
Sentir falta do cachorro que vc nem gosta tanto assim...
Adorar cada ligação de sua sogra e vó-sogra.
Adorar cada curtida dos amigos nas suas postagens no Face, sabendo que
eles não esqueceram de vc...
"...chorar ao encontrar um cabelo seu na geladeira e entender as reclamações dela"
ResponderExcluirHahahahaha...
Curto as fotos; não me esqueço!
Gostei muito do texto!!!
;)
Baby.
ResponderExcluirUma bela noite, sem ao menos esperar, uma declaração tão linda como essa.
Não tem preço!!
Você não imagina o que vc faz com o meu coração.
Te amo muito amor, muito mais do que eu seria capaz de expressar em palavras.
Volta logo!!
Bom, uau.
ResponderExcluirAMO o livro.
Só quando a gente está sozinha é que entendemos muitas coisas, né?
Amo tanto você, e não vou te esquecer nunca.
:)
Beijocas
Queridos, vcs estão comigo sempre!! Grata por isso, principalmente, e pelos comentários!!
ResponderExcluirSaudades gigantes!